Introdução

Desde muito que os conhecimentos filosóficos e sociológicos interagem e se relacionam profundamente. E um dos possíveis exemplos que poderiam ser dados para ilustrar essa situação é a relação existente entre globalização e pós-modernidade. Ambos conceitos recentes surgidos na era moderna e que se complementam. O primeiro, um processo de integração mundial em diversas áreas, tais como a econômica, política e social. Já o segundo, um termo que designa um movimento de ruptura dos modelos e paradigmas extensamente aceitos pela sociedade e da crença em valores e verdades universais. É, portanto, um rompimento com a própria modernidade, a recusa de narrativas e teorias complexas sobre as coisas.

 

Globalização

O termo designa um processo socioeconômico, político e cultural que ganhou força a partir da década de 1970, com a queda do socialismo no leste Europeu. Uma integração entre os diferentes países e regiões do globo, que tem o seu ápice no século XXI, auxiliado pela industrialização, pela automação, pela informática, pela evolução das telecomunicações e o desenvolvimento contínuo de tecnologias.

Caracterizada pelo fluxo contínuo de pessoas, informações, mercadorias e bens, é um reflexo do capitalismo, que em sua busca pelo lucro expandiu fronteiras e interligou continentes e culturas, transformado-os irremediavelmente.

Claro que esses laços trariam consequências para as relações sociais, pessoais, de trabalho e produção, para dizer o mínimo. No caso da primeira, surgiu o mercado-rede, uma instituição internacional regulamentadora da economia e política. Quanto ao segundo cenário, ao mesmo tempo em que as pessoas podiam se conectar com indivíduos de qualquer região do mundo e de qualquer bagagem cultural, a telecomunicação e informática utilizadas para esse fim afastaram as pessoas físicas uma das outras. E por fim, o ambiente de trabalho foi modificado pelas máquinas e fragmentação das atividades.

Esses são apenas alguns exemplos que facilitam a ilustração do que é a globalização, uma integração, principalmente econômica e cultural, à nível global.

 

Pós-modernidade

A pós-modernidade tem como fator marcante ser uma das consequências da globalização. É uma expressão ampla e ambígua, difícil de se localizar na história e caracterizar precisamente. De modo simplificado, crê-se que o conceito surgiu em meados do século XX no mundo hispânico e foi popularizado pelo filósofo francês Jean-François Lyotard.

É visto como uma opção estética criada pelas artes plásticas e pela arquitetura, em oposição ao modernismo e seus preceitos, tais como a crença em valores e verdade universais, imutáveis e inquestionáveis, e a uniformidade. Após romper com os paradigmas da área artística, o movimento se estendeu para outros campos da vida social, irrompendo modelos de comportamento social e político aceitos pela sociedade.

Entre seus traços, é digno de nota mencionar o rompimento com padrões, visões de mundo como o marxismo e o iluminismo, a convicção na ciência como fonte única e confiável de saber, o extremo racionalismo e objetivismo.

Em suma, a pós-modernidade denomina uma condição sociocultural que tem como plano de fundo o capitalismo e a globalização, e apresenta modelos alternativos para os estagnados até então existentes. É a negação de qualquer fundação, a crise da ideia de certeza e da filosofia como construtora da verdade.

 

Relação entre Globalização e Pós-modernidade

Como foi dito anteriormente, a globalização tem sua existência ligada ao capitalismo, que ao buscar ampliar o mercado consumidor e disseminar uma cultura de massa, conectou o mundo por meio de redes e fluxos. Toda a interação e troca de conhecimentos subsequente colocou as pessoas em contato com outras realidades que não as suas próprias, originando uma multiplicidade de informações e, posteriormente, questionamentos. O foco, agora, era encontrar uma verdade universal, uma certeza irrefutável que desse conta de explicar essa gama de realidades.

Concomitantemente, o contato íntimo de regiões do planeta, sob a custódia do capitalismo, provocou uma generalização. Espaços e culturas perderam seus traços característicos e passaram a se parecer cada vez mais.

Em outras palavras, a sociedade estava permeada por modelos -seja de comportamento ou pensamento- e visões de mundo que propunham verdades universais.

E é nesse contexto que a pós-modernidade emerge, rompendo com essa ideia de que há um molde absoluto a ser seguido e uma explicação para tudo. O que existe é apenas a realidade, e ela não pode ser padronizada. Diante disso, padrões alternativos de organização social e pensamento surgem como opção para os moldes até então aceitos. Como por exemplo, na arte novos padrões estéticos se sobrepões aos anteriores, e organizações não governamentais são criadas, com soluções alternativas para as apresentadas pelo poder político institucional.

 

Conclusão

Globalização e pós-modernidade são conceitos amplos e complexos dos campos filosóficos e sociológico, que apenas estudos aprofundados poderiam suprimir sua totalidade. Sob uma análise menos categórica, os laços que unem ambos é o de causa e consequência. A globalização, com sua capacidade de unir culturas e criar moldes universais, propiciou o terreno para a ascensão da pós-modernidade. Esta que foi consequência direta da primeira, apareceu como uma ruptura dos paradigmas amplamente aceitos, no período que se chamou de modernidade.

Sendo assim, indissociáveis pela relação de dependência existente entre si, a pós-modernidade se apresenta como uma das consequências da globalização e com esta é identificada.

 

Autoria de: CAIO MENDES, JULIA CAMARGO, PEDRO HENRIQUE, RONALDO KNORICH, THAÍS TADAKI

 

 Referências

Globalização

 

Jean Francois Lyotard – O Pós Moderno

 

 

Pós-modernidade

Zygmunt Bauman e a Pós-Modernidade

 

 

 

 

Anúncios